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  • Mar Subverso

    Rui de Noronha Ozorio

    Hoje
    atesta-me um ar vazio no corpo
    que me deixa dobrado
    ao frio
    sem roupa que me consiga aquecer

    Respiro devagar
    e conformo
    os meus nomes ao destino

    Vou sereno
    e com os olhos vermelhos e arranhados
  • Par De Olhos

    Inês Morão Dias

    Duas mãos seguram a face
    uma
    foice que se congemina
    conquanto os olhos não supliquem
    uma repetição das noites
    sabáticas da insónia
    foi-se agora com
    uma pastilha
    trincada ao meio
    que supersticiosamente
    trará o sono dos justos
    aqueles que cumprem os rituais
    sempiternos de profanar
    com mais ou menos vocabulário
    os exageros nervosos
    das cabeças em dúvida
  • Lamarim

    Vítor Teves

    "Lamarim começa sob o signo da luz, mas também sob
    o dos Açores, as suas cores, mas também os isolamentos e a
    desigualdade de género que a insularidade impõe, expressos
    no vermelho do sangue e no negro do corvo que surgem nos
    primeiros dois poemas."
    do prefácio
    por Tatiana Faia
  • Leopardo E Abstracção

    Tatiana Faia

     
  • Tutano

    AAVV

    Tutano
    Revista de Inéditos de Poesia, Teatro e Todas as Artes
    número zero

    Reúne poesia e textos inéditos de
    Ana Bessa Carvalho
    Ana Paula Inácio
    Ana Luísa Amaral
    André Domingues
    André Tecedeiro
    Francisca Camelo
    José Carlos Soares
    José Manuel Teixeira da Silva
    Kallie Falandays
    Paulo Rema
    Pedro Craveiro
    Rui Azevedo Ribeiro
    Samsara
    Renata Portas
    Ana Rocha
    Jorge Palinhos

    Ilustrações e Fotografia de
    Daniel Flores
    Gonçalo Sério Limpo
    Marco Dias
    Vera Oliveira
    Graça Martins
    Isabel de Sá

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Destaques

O jogo favorito

Leonard Cohen

Leonard Cohen, o consagrado músico, conta neste romance a história do jovem Lawrence Breavman. Filho único de uma família abastada, Lawrence procura fora de casa o que não consegue encontrar junto do pai doente e da mãe neurótica: amor e beleza. Na companhia de Krantz, o melhor amigo, explora ávida mente o mundo, que gira obsessivamente em torno de um único eixo: o sexo oposto. Na ânsia de abafar um passado deprimente e castrante que chegou ao fim com a morte do pai, é através das mulheres que Lawrence vai tacteando e conhecendo a vida, mesmo quando a carne e o desejo se transformam numa prisão tão sufocante como o passado. O seu jogo favorito Lawrence descobre-o em Nova Iorque, onde se refugia depois de terminada a faculdade e de um êxito precoce como poeta. É aqui que conhece Shell, a mais linda das mulheres, com quem partilha o prazer das sedutoras palavras e dos íntimos silêncios. Descobre, por fim o amor completo, na plenitude inebriante do êxtase que oferece e dos sacrifícios que exige.

A noite em que a noite ardeu

A. M. Pires Cabral

 Epígrafe

Se algum dia alguém chegar a ler
este dizer agreste,
provavelmente pensará: que pálida lanterna;
não é deste metal que a luz é feita.
Calma. Pois não.
Mas quem assiduamente
visita os desvãos onde a noite se acoita
não precisa de mais que o clarão desta trevam
desta cegueira sem cão e sem bengala,
para no escuro rasgar o seu caminho
e nele ir progredindo às arrecuas.

Poesia, saudade da prosa

Manuel António Pina

 « […] esta antologia é de uma seriedade e exigência inatacáveis. […] É uma poesia de uma amargura doce, de uma tristeza mansa, de uma relutância vitalista. Não é uma poesia do lado de fora das coisas, mas não tem ilusões sobre o nosso acesso efetivo ao lado de dentro. É, digamos, sobre o lado de fora do lado de dentro – sítio onde a identidade e a realidade fazem um sentido provisório e comunicável. E onde se pode talvez pousar a cabeça.»
Pedro Mexia, Expresso

Mandriões no Vale fértil

Albert Cossery

 «Se o mundo se transformou numa coisa mal-humorada, isso deve-se sem dúvida ao facto de agora ser preciso muito dinheiro para viver. A vida é muito simples mas tudo conspira para a tornar complicada. É quando nos vemos livres da ambição do dinheiro, do orgulho ou do poder que a vida se revela formidável.» (Albert Cossery) Por que razão deverá uma pessoa trabalhar, podendo evitá-lo? É nesta interrogação oriental que se alicerça toda a obra de Cossery. Mandriões no Vale Fértil (1947), esgotado há vários anos, é o romance em que o autor dedica ao seu tema predilecto - o ódio sarcástico ao trabalho - uma maior amplitude filosófica. A mandriice, longe de ser um defeito, é cultivada como uma flor rara e preciosa pelas personagens deste livro. Numa vivenda a pedir obras, nos arredores de uma grande cidade egípcia, mora uma família singular: um ancião, os seus três filhos e um tio que ali encontrou refúgio depois de ter delapidado toda a fortuna. Convictos de que o trabalho engendra apenas a desordem e a desgraça, descobrem que manter a doce sonolência que reina em casa é, afinal, uma árdua tarefa.