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Poesia Portuguesa » Contemporânea

De amore

Armando Silva Carvalho

 
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10.00€

Pobres

Diogo Alcoforado

Capa de Gil Maia sobre fotografia de João Paulo Sotto-Mayor. Os textos datam de 2002 e 2003.

A noite; e a dor intermitente
subindo pela anca quase gasta:
a íntima ferida que arrasta
e no rosto avança - se doente

a custo a expõe, já destruído.
O pé por que se move não consente
ao corpo qualquer passo. tão-só mede
o termo do seu tempo - já contido

no leito onde toca seu limite.
Repouso é um modo de perder;
e dobre sobre si o sofrimento

alheio ao destino que o dite.
E as horas que passam deixam ler
na carne o temor de seu acento.
 

botao
10.10€

Três lugares

Diogo Alcoforado

O autor dedica este livro à memória e em louvor de Rainer Maria Rilke pela sua obra e pelo desafio que "A vida de Maria" constituiu para a criação destes poemas.

Inútil é supor haver registos
por dentro dos registos. Quase nada
agora sobrevive: quando cada
transporte ou lugar dá só aos mistos

sucessos um sinal sempre diverso.
Nem cânticos nem votos são iguais:
deslizam pelas horas, vão dos mais
abertos intervalos ao que verso

e frente dessa folha mal indicam.
Constrangimento vivo: porque não
escolhem as palavras seu sentido
ou parte do olhar por que se ficam.

E o gesto contado traz à mão
suspenso o que é ou que foi lido.
botao
12.00€

Alguns pequenos exercícios

Diogo Alcoforado

O autor nasceu em Espinho, é doutorado em Filosofia pela FLUP.
O livro reúne parte dos textos publicados em edições restritas entre 1975 e 1991 assim como alguns escritos inéditos e outros publicados em revistas de poiesia (Limiar, Hífen) no período de 1992-1995.

Abrimos este reino pela porta
aberta, viva, ela granito,
em tempo (um pouco) e eis: o aconchego
do vasto e fugaz cinto, o lume,
a mesa, o leito, o longo olhar
pousado sobre o campo, sobre o rio
dos corpos, livre, não torrente
mas manso, entre mãos, como na concha
(onde formada?) assim precisa.
Então pensamos: é o vento
que nos fere. E o eco
vem do rosto, da ruga, da viagem
sem fronteiras: este gesto
de ir, além, perdido mapa,
por voo, apenas, de retorno.

botao
11.10€

Hotel Spleen

Bernardo Pinto de Almeida

Bernardo Pinto de Almeida é poeta, crítico de Arte e Literatura e professor de História e Teoria da Arte na Faculdade de Belas Artes do Porto.
Autor de extensa obra ensaística no âmbito das artes visuais, começou a publicar poesia nos anos 80, ao que se seguiu um longo interregno. Em 2002, retomou a actividade de poeta.


És ainda tu quem
sob a lâmpada
no quarto da criança
quem na luz feroz da auto-estrada
quem de manhã
na cama mesmo ao lado,
o corpo adormecido,
me indica o veneno
a espada o sítio de onde deveria saltar
sobre o abismo?
és tu?
É este o sítio
de onde uma arma dispara
um corpo cai sobre a sua sombra?

Isto ainda acaba bem.
botao
10.10€

E outros poemas

Bernardo Pinto de Almeida

Nasceu em 1954, no Porto. É professor de história e teoria de arte na Faculdade de Belas Artes do Porto.
Escreveu: Escadas (1981), As sublimes súplicas (1988), sem título (2002), Depois que tudo recebeuo nome de luz ou de noite (2002).

"Uma lição emocional sobre a incomplacência, sobre o que é o amor quando não há ninguém, sobre o que é o amor quando não se suporta, ou não se quer, ser amado" - Tereza Coelho

pequeno desenho
coração
desordenada linha
o fumo do cigarro
o copo muito nítido
na mesa
a luz que cai aos poucos
mãos pousadas

 

botao
7.07€